TEA: Um dia para respeitar

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A inclusão escolar e social, juntamente com o apoio a políticas públicas e direitos, são passos cruciais. A doutora Cinthia Lemes, coautora do livro "TEAR – Linhas da Inclusão", é especialista em linguística e defesa da inclusão educacional e foi entrevistada especialmente para celebrar esse dia.

O Dia Internacional do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é celebrado em 2 de abril, uma data estratégica para promover conscientização, inclusão e respeito às pessoas autistas. Para educadores, compreender a importância desse dia é fundamental para fortalecer práticas pedagógicas inclusivas e fomentar uma sociedade mais acolhedora e acessível.

O primeiro passo para uma sociedade mais inclusiva é a informação. Professores bem-informados podem identificar sinais precoces do autismo e adaptar suas metodologias para atender melhor seus alunos. O passo seguinte seria promover a inclusão escolar e social, bem como viabilizar incentivos às políticas públicas e aos direitos, iniciativas que se somam à conscientização das famílias e da comunidade escolar.

O Blog conversa com a doutora Cinthia Lemes, coautora do livro TEAR – Linhas da Inclusão: Desmistificando o Transtorno do Espectro Autista para Educadores. Além do doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Cinthia tem mestrado em Língua Portuguesa e graduação em Letras – Português/Espanhol pela mesma instituição.

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Cinthia Lemes

1. Qual é a importância de um dia para conscientização do autismo?

Ter um dia para conscientizar sobre a questão do autismo já é um grande avanço da sociedade; pois, historicamente, esse transtorno foi cercado por desconhecimento, preconceitos e falta de informações precisas. Ainda precisamos aprender muito sobre a comunidade autista, seus desafios, suas necessidades e, principalmente, suas potencialidades.

2. O que dizer da conscientização?

A conscientização é essencial para combater estereótipos e promover uma inclusão verdadeira, garantindo que pessoas autistas tenham oportunidades iguais em todas as esferas da vida.

Assim como outros grandes temas sociais, como o racismo e a importância da participação da mulher na sociedade, o autismo deve estar na pauta pública. Quanto mais falamos sobre ele, mais conseguimos transformar nossa sociedade em um espaço mais acolhedor e acessível.

World autism awareness day concept Adult and child hands holding puzzle heart on light blue background
Dia Internacional do Transtorno do Espectro Autista

3. “Informação gera empatia, empatia gera respeito”. Isso mexe com a sociedade?

O tema da campanha 2025 – “Informação gera empatia, empatia gera respeito” – é muito poderoso e necessário. A falta de conhecimento sobre o autismo faz com que muitas pessoas tenham percepções equivocadas, o que pode levar à exclusão e ao isolamento dos autistas e de suas famílias.

4. Qual é o papel da informação?

Quando se disponibiliza informação de qualidade, promovem-se diálogos abertos. Também se consegue sensibilizar a sociedade, tornando-a mais empática e respeitosa. Afinal, empatia não significa apenas se colocar no lugar do outro, mas compreender suas dificuldades e agir para minimizar barreiras. Esse é um tema que precisa ser amplamente debatido, pois só assim podemos construir uma sociedade mais justa e inclusiva.

A girl holds a heart with puzzle pieces in her hands
Dia Internacional do Transtorno do Espectro Autista

5. Pode-se dizer que a educação é a base da conscientização?

Sim, acredito que a educação é a base para a conscientização e a chave para a construção de um futuro mais inclusivo. O processo de aprendizado começa com palestras, rodas de conversa e campanhas de sensibilização, mas deve ir além, integrando o tema ao currículo escolar e ao dia a dia das pessoas.

A inclusão de textos, atividades e projetos pedagógicos voltados à temática do autismo é fundamental para que desde cedo as crianças compreendam a diversidade neurológica e aprendam a respeitá-la. Quando a educação assume esse compromisso, ela não apenas ensina sobre o autismo, mas também cria um ambiente onde todos se sintam pertencentes e valorizados.

6. Quais foram os desafios ao participar na coautoria do livro/curso Tear – Linhas da Inclusão?

Os desafios que enfrentei ao abordar essa temática foram muitos. Um dos principais foi ter muito a dizer e precisar reduzir o conteúdo para caber em apenas um livro. O autismo é um tema vasto e complexo, com múltiplas perspectivas e experiências individuais.

A comunidade autista é extremamente diversa, e cada pessoa apresenta características e desafios únicos. Seria possível escrever volumes e volumes sobre esse assunto, pois cada história, cada vivência e cada estudo trazem novas camadas de compreensão. A limitação de espaço exigiu um grande esforço para selecionar as informações mais relevantes, garantindo que o conteúdo fosse acessível, informativo e impactante.

Autism Syndrome Person
Dia Internacional do Transtorno do Espectro Autista

7. Ao ampliar a rede de apoio aos autistas, é possível ver o futuro com otimismo?

A rede de apoio aos autistas desempenha um papel fundamental na promoção de um futuro mais otimista e inclusivo. O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento que, muitas vezes, não apresenta sinais físicos visíveis, o que pode levar ao desconhecimento ou à negligência das necessidades dessas pessoas.

8. Então, a “rede de apoio” importa…

Sim, sem nenhuma dúvida. Por ser uma diferença invisível, muitas vezes os autistas enfrentam dificuldades para serem compreendidos e respeitados. É por isso que a conscientização e o fortalecimento das redes de apoio são tão importantes.

Quando a sociedade passa a enxergar e acolher os autistas, cria-se um ambiente mais humano e inclusivo, onde cada indivíduo pode desenvolver seu potencial sem medo do preconceito ou da exclusão. Promover essa mudança de mentalidade não é apenas uma questão de responsabilidade social, mas um gesto de amor e empatia.

9. Que mensagem deixaria aos educadores e familiares?

A mensagem que quero deixar para educadores e familiares é de esperança e persistência. Embora a jornada pareça longa e desafiadora, é inegável que grandes avanços têm sido conquistados. Hoje, temos mais acesso a informações, políticas públicas, diagnósticos precoces e métodos educacionais inclusivos que antes eram inexistentes ou pouco difundidos.

Ainda há muito a ser feito, mas cada passo na direção da inclusão faz a diferença. O mais importante é garantir que crianças e adultos com autismo sejam felizes, respeitados e tenham suas necessidades atendidas. A inclusão não deve ser vista como um favor, mas como um direito inegociável. Unidos, podemos transformar a sociedade em um espaço onde todos possam viver com dignidade e respeito.

Entrevista concedida a
Jael Eneas, Educador
Multiverso das Letras

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