Vamos falar em competências socioemocionais?
Nos últimos anos, o desenvolvimento de competências socioemocionais tem ganhado cada vez mais reconhecimento como um pilar essencial para o bem-estar integral. Essas competências vão muito além do desempenho acadêmico: envolvem a habilidade de reconhecer e lidar com as próprias emoções, desenvolver atitudes mais conscientes e construir relações interpessoais saudáveis.
Pesquisas apontam que programas de educação socioemocional contribuem para a criação de ambientes escolares mais acolhedores e seguros, reduzindo índices de bullying, violência e evasão escolar. Estudantes que se sentem apoiados e conectados à escola apresentam maiores índices de permanência e sucesso acadêmico. Nesse sentido, projetos que utilizam metodologias ativas e interdisciplinares têm se mostrado especialmente potentes no contexto educacional (Instituto Península/IEDE, 2019; Araújo, 2020; Bueno, 2022).
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reforça essa perspectiva ao destacar que, além das competências cognitivas, é essencial que os estudantes desenvolvam habilidades para lidar com emoções, cultivar relações positivas e tomar decisões responsáveis. Esses aspectos são considerados fundamentais tanto para o desenvolvimento pessoal quanto para a formação de cidadãos críticos e conscientes (Brasil, 2018).
Quando trabalhadas de forma consistente e integrada, as competências socioemocionais favorecem o sucesso individual em diversas áreas da vida e, ao mesmo tempo, fortalecem a construção de comunidades mais solidárias e colaborativas (Carneiro; Lopes, 2020). Não por acaso, diretrizes nacionais e internacionais já reconhecem a educação socioemocional como indispensável para uma formação integral.

Um olhar ampliado: potência, cuidado e acolhimento
Para conseguir alcançar esses objetivos audaciosos, é fundamental garantir ambientes de aprendizagem seguros, significativos, inclusivos, eficazes e afetivos. Em outras palavras, espaços de cuidado e acolhimento que favoreçam a escuta, a convivência respeitosa e a construção de saberes em conjunto.
Esse olhar mais integrado compreende o indivíduo em sua subjetividade e singularidade, reconhecendo que a educação socioemocional é também um campo de potência: promove o desenvolvimento social, emocional, acadêmico e psicológico, ampliando horizontes e fortalecendo trajetórias de vida.
Nesse cenário, surgiu a necessidade de uma proposta inovadora que integrasse educação socioemocional e construção de projeto de vida, acompanhando os estudantes desde os anos iniciais do Ensino Fundamental até o Ensino Médio. Foi então que nasceu o Projeto Viver: mais do que uma metodologia, é uma experiência que proporciona a alunos, professores e comunidade recursos para desenvolver autonomia, consciência emocional e propósito, preparando-os para os desafios do presente e para a construção de um futuro mais significativo.
Para compreender melhor os impactos dessa iniciativa, foi realizada uma pesquisa qualitativa com gestores e professores de escolas municipais do interior de São Paulo. Ao todo, 12 profissionais foram convidados a participar.
A pesquisa buscou compreender de forma mais aprofundada as percepções de gestores e professores acerca do Projeto VIVER.
O Projeto VIVER na voz dos professores e gestores
Para compreender o verdadeiro impacto do Projeto VIVER, nada melhor do que ouvir quem está na linha de frente da educação. As experiências compartilhadas por professores e gestores durante o processo de implementação revelam, na prática, o significado e a força dessa proposta.
“O conteúdo trabalhado em sala de aula está sendo relevante para os estudantes, pois estamos abordando valores, atitudes e o protagonismo estudantil. Isso tem levado os estudantes a refletirem sobre seu convívio escolar, familiar e em sociedade” (Ent.12).
“O Projeto Viver veio para somar, pois, desde que iniciamos, os estudantes pararam de faltar às aulas. Trabalhei o projeto em dias alternados, e eles não queriam faltar para não perder o próximo tópico” (Ent.01).
“O projeto também demonstrou cuidado com o professor, oferecendo apoio com carinho e atenção, considerando suas expectativas e o dia a dia em sala de aula” (Ent.12)

A importância do Projeto VIVER nas práticas pedagógicas para a formação dos estudantes
Mais do que uma proposta pedagógica, o Projeto VIVER reafirma a importância de uma educação que ultrapassa o ensino de conteúdos e promove o desenvolvimento integral dos indivíduos. Trata-se de investir na formação de sujeitos íntegros, conscientes e preparados para enfrentar os desafios da vida, fortalecendo não apenas o aprendizado acadêmico, mas também o crescimento humano e coletivo.
Ao consolidar essas práticas, contribuímos para a construção de uma sociedade mais empática, resiliente e solidária – valores cada vez mais necessários no mundo atual.
Jilvana Godoi
Psicóloga Clínica e Educacional | Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental
Mestranda em Promoção da Saúde | Graduanda em Pedagogia
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Referências
ARAÚJO, Ulisses F. Projetos de vida [recurso eletrônico]: fundamentos psicológicos, éticos e práticas educacionais]. 1. ed. – São Paulo: Summus, 2020.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.
BUENO, José Maurício Haas; RICARTE, Mirela Dantas. O que são habilidades socioemocionais. In: RICARTE, Mirela; BUENO, Maurício (Org.). Habilidades socioemocionais. 2. ed. São Paulo: Hogrefe, 2022. p. 11-26.
CARNEIRO, M. D. L.; LOPES, C. A. N. Desenvolvimento das competências socioemocionais em sala de aula. Revista de Psicologia, v. 14, n. 53, p. 1-14, 2020.
PROJETO VIVER. Ensino fundamental e médio. São Paulo: Viver Editora, 2019-2021.
Instituto Península; IEDE (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional).
INSTITUTO PENSÍNSULA; IEDE. Formação de professores: uma questão multidimensional [Relatório]. Instituto Península & IEDE. São Paulo, SP.