O mês de setembro é especialmente simbólico para a reflexão sobre a questão ambiental. Logo no dia 5 de setembro, celebramos o Dia da Amazônia, bioma que concentra a maior floresta tropical do planeta e exerce papel crucial na regulação climática global.
No dia 11, temos o Dia Nacional do Cerrado, o segundo maior bioma do Brasil, responsável por alimentar as principais bacias hidrográficas do país.
No dia 16, duas celebrações internacionais coincidem: o Dia Internacional da Preservação da Camada de Ozônio e o Dia Internacional de Limpeza de Praias e Rios. Ambas reforçam o caráter global da luta ambiental: proteger a camada de ozônio foi possível por meio de esforços multilaterais, como o Protocolo de Montreal (1987); já a limpeza de oceanos e rios nos lembra que os resíduos sólidos, em especial o plástico descartável, tornaram-se uma das maiores ameaças à vida marinha e à saúde humana.
No dia 21, temos o Dia da Árvore, data que celebra a importância das florestas e de sua contribuição para o equilíbrio climático e a manutenção da biodiversidade.
E, por fim, em 22 de setembro, celebramos o Dia de Defesa da Fauna, que traz a necessidade de preservar a vida animal.

Ação global e a liderança brasileira
Em junho de 1972, em Estocolmo, na Suécia, a Organização das Nações Unidas (ONU) realizava a primeira grande convenção para discutir os impactos da atuação humana no meio ambiente, considerada um marco para as questões ambientais.
Vinte anos depois, a cidade do Rio de Janeiro sediava a Segunda Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, evento conhecido como ECO-92 ou Rio-92. O encontro reuniu líderes de mais de 170 países e resultou em documentos fundamentais, como a Agenda 21, que traz os princípios para o desenvolvimento sustentável.
Essas convenções ajudaram a dar a visibilidade e a importância devida à necessidade de uma mudança global na maneira como a humanidade se relaciona com o planeta Terra, seus recursos naturais e sua biodiversidade. Desses e de outros encontros globais surgiram tratados, protocolos e acordos assinados pelos países-membros da ONU, indicando que as questões que tangenciam a preservação do meio ambiente são algumas das principais tarefas globais, necessárias e urgentes.

A educação que transforma
No Brasil, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reconhece a preservação do meio ambiente como parte das competências essenciais que devem ser trabalhadas em todas as etapas da Educação Básica. Entre suas dez competências gerais, a de número 7 orienta que os estudantes desenvolvam a consciência socioambiental, o consumo responsável e o cuidado consigo, com os outros e com o planeta. Isso significa que a questão ambiental não deve ser tratada de forma pontual, mas de maneira transversal, principalmente em conexão com as áreas de Ciências da Natureza e Ciências Humanas e Sociais.
Na sala de aula, esse compromisso se traduz em práticas que estimulam o olhar crítico e a sensibilidade dos estudantes diante dos desafios ambientais. Projetos interdisciplinares, pesquisas locais, saídas de campo e uso de tecnologias digitais podem aproximar os jovens da realidade de seus territórios e ajudá-los a perceber como as questões ambientais afetam diretamente sua vida cotidiana, além de aproximá-los da compreensão de que não existe separação entre humanidade e natureza, pois somos parte indissociável dela. É fundamental mostrar que uma relação baseada na exploração ilimitada dos recursos naturais inevitavelmente compromete nossa própria sobrevivência. Assim, a educação não apenas transmite conhecimento, mas promove a formação de cidadãos capazes de compreender a complexidade das relações entre sociedade e natureza, e de agir de forma responsável.
Camila Yuri K. Assunção
Historiadora e especialista em Design Instrucional
Editora de Ciências Humanas na Editora Órbita
Referências
KRENAK, Ailton. Futuro ancestral. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.
ONU Brasil. O que são as mudanças climáticas? Brasília, [s.d.]. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/175180-o-que-s%C3%A3o-mudan%C3%A7as-clim%C3%A1ticas. Acesso em: 20 set. 2025.
SCHEIBE, Luiz Fernando. Desenvolvimento sustentável, desenvolvimento durável. In: ZAKRZEVSKI, Sônia Balvedi; BARCELOS, Valdo. Educação ambiental e compromisso social. Erechim: EdiFAPES, 2004.
UN Environment Programme. 50 years of UNEP. Nairóbi, Quênia: ONU. 1 vídeo (7 min). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=zuXWT4Bnyro. Acesso em: 20 set. 2025.