Um universo submerso 

large mammal blue whale blowing water from blow hole in sri lanka's mirissa

A vida nos oceanos 

Os oceanos são vivos. 

A imensidão azul, vasta e profunda é pulso e explosão de vida, de cores, de formas e tamanhos longe dos olhos humanos. 

Das praias ao mar profundo, passando por mangues, costões rochosos e regiões polares, os oceanos abrigam aproximadamente 66 ecossistemas diferentes em uma extensão de 1.332.000.000 km3 da superfície do globo terrestre. 

Desde o maior animal vivo da Terra (a baleia-azul, com 30 metros de comprimento e 160 toneladas) até os menores animaizinhos (os zooplânctons, larvas flutuantes de invertebrados marinhos), o oceano é berço das espécies mais extraordinárias do planeta. 

Passados bilhões de anos desde o surgimento da vida no sistema solar (até o que sabemos na atualidade), as 240 mil espécies aquáticas oficialmente descritas pela ciência apresentam mecanismos de adaptação e resiliência que as permitiram permanecer em um ambiente cheio de desafios. 

Respiramos oceano 

Não é exagero afirmar com veemência que respiramos oceano, uma vez que mais de 50% do gás oxigênio presente na atmosfera é resultante da fotossíntese feita por algas marinhas. 

Além disso, 40% do gás carbônico produzido na superfície terrestre é absorvido pelos oceanos, o que os torna os pulmões do mundo: a Amazônia líquida e azulzinha, da cor do mar. 

Sem contar que 90% do calor excedente gerado pela queima dos combustíveis fósseis, desde a Revolução Industrial até os dias de hoje, são absorvidos pelos… oceanos. 

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que os oceanos alimentam 3 bilhões de pessoas com produtos diretos e derivados, além de gerar empregos para quase 30 milhões de pessoas ao redor do globo terrestre. 

Estima-se que aproximadamente 60% a 65% da população humana viva na faixa de 100 km a partir dos oceanos. No Brasil, 40% do território nacional é coberto por área marinha, dividido em 17 estados e 443 municípios. Desses, 13 são capitais habitadas por 111,2 milhões de pessoas vivendo no litoral brasileiro. 

Desse número impressionante de moradores e moradoras, formas diversas de subsistência estão articuladas a uma sociodiversidade única que vive e sobrevive em harmonia com o mar. Entre elas, comunidades tradicionais que mantêm saberes ancestrais aprendidos com o mar – outras formas de existir. 

A zona costeira brasileira é composta de 800 mil pescadores e pescadoras responsáveis por 55% da produção pesqueira nacional. 

Esse pulso de vida da Terra, que cobre 70% da superfície – um berço da vida –, é quem sustenta toda a biosfera. Um oceano ameaçado coloca em risco toda a sustentação de vida planetária. Enquanto o oceano sofre, adoecemos, dia após dia. 

person collecting trash on beach in yellow gloves and casual outfit in natural outdoor lighting for environmental conservation

A Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável 

Em 2021, a ONU estabelece a década dos oceanos, ou melhor, a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021-2030), que tem como propósito gerar conhecimento sobre a cultura oceânica e está fundamentada em sete objetivos distintos, como pode ser visto a seguir. 

1. Oceano limpo 

2. Oceano saudável e resiliente 

3. Oceano previsível 

4. Oceano seguro 

5. Oceano sustentável e produtivo 

 6. Oceano transparente e acessível 

 7. Oceano inspirador e envolvente 

Trata-se de medidas ambiciosas com o objetivo de reduzir as ameaças que colocam o equilíbrio dos oceanos e de toda a biodiversidade do planeta em risco iminente. Entre as principais ameaças, estão: 

– a acidificação dos oceanos, que tem impactado diretamente a vida dos recifes de corais em todo o mundo e reduzido a diversidade de espécies únicas; 

– a exploração do petróleo, que contamina e preda hábitats; impacta toda a vida oceânica; além de, em situações de vazamento, bloquear a entrada de luz para a fotossíntese; 

– a sobrepesca, quando animais são capturados em quantidades que superam a capacidade reprodutiva de regeneração das populações; e as pescas de arrasto, que varrem indiscriminadamente toda a fauna submersa; 

– a poluição sonora, provocada por atividades como exploração de petróleo, navegações e construção submarina, que interferem diretamente no sistema de comunicação de grandes mamíferos, como baleias e golfinhos; 

– a poluição química, que, a cada segundo, injeta nos oceanos grandes volumes de pesticidas, metais pesados, produtos químicos e esgoto, sem qualquer tipo de regulação ou filtragem. 

Entre tantos mais, sem ponto de retorno, estão as mudanças climáticas, cujos desdobramentos provocam alterações ecológicas dos ecossistemas marinhos, como aumento do nível do mar e alteração de temperatura e pH, o que consequentemente leva à extinção de espécies. 

São necessárias medidas imediatas, pois os efeitos são invisíveis no mundo terrestre, longe dos olhos humanos, mas ocasionam danos materiais, imateriais, sociais e econômicos. 

Dada a complexidade dos problemas enfrentados, as medidas devem ser tomadas em múltiplas frentes: do financiamento de pesquisas à cooperação internacional para gestão das mudanças climáticas; da elaboração de políticas públicas efetivas com a participação das comunidades que habitam as zonas costeiras do globo à transição energética. 

Como educadora, cabe a mim a reflexão sobre o fato de que, mais uma vez, a educação se impõe como protagonista transversal em todo esse processo. A cobrança por medidas efetivas só vai acontecer quando uma sociedade mobilizada, engajada e ciente da gravidade dos problemas se tornar reativa diante deles. É preciso uma massa crítica, comprometida com a justiça socioambiental, com a equidade, com o respeito à vida, com o bem-viver. 

É nesse cenário desafiador que assumimos nossas posições. Por isso, este é um convite a nos tornarmos agentes dessa transição para a mobilização, reconhecendo que ações individuais não chegarão ao oceano, mas que ações coletivas e coordenadas podem, sim, chegar até a praia, que é parte do oceano. 

Referências 

ACADEMIA BRASILEIRA De CIÊNCIAS. Década do Oceano: Declaração da Academia Brasileira de Ciências sobre a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável. Junho de 2021. Disponível em: https://www.abc.org.br/wp-content/uploads/2025/03/Revista-Gt-Oceanos-2021.pdf. Acesso em: 29 mai. 2026. 

NARCISO, R. Como o cuidado com o oceano influencia a nossa saúde? Museu da vida Fiocruz. InVivo. Disponível em: https://www.invivo.fiocruz.br/saude/oceano-influencia-saude/. Acesso em: 29 mai. 2026. 

WWF-BRASIL. Biodiversidade e regulação do clima do planeta. Disponível em: https://www.wwf.org.br/nossosconteudos/biomas/oceano/. Acesso em: 29 mai. 2026. 


Carla Moreira 
Educadora ambiental e pesquisadora. Mestre em Ensino de Ciências (USP). Doutoranda em Ensino de Ciências (USP). Assessora Pedagógica da Editora Órbita. 

right
Editora Viver: livros religiosos, espirituais e de desenvolvimento pessoal com qualidade, tradição editorial e compromisso com a fé cristã no Brasil.

Relacionados

Os desafios da Educação de Jovens e Adultos e a importância de uma aprendizagem contextualizada

Viver Editora

jun 29, 2026

O desafio da alfabetização científica nos anos iniciais: formando pensadores críticos desde a infância

Viver Editora

jun 22, 2026

Sala de aula criativa: como transformar o Dia Mundial do Meio Ambiente com histórias e vivências práticas 

Viver Editora

jun 1, 2026

20 de maio: celebrar o pedagogo é valorizar o profissional e reconhecer a Pedagogia como ciência da educação

Viver Editora

maio 25, 2026

Família e escola: uma parceria que transforma

Viver Editora

maio 18, 2026

Treze de Maio: o que temos para comemorar? Entre a abolição e a denúncia do racismo no Brasil

Viver Editora

maio 11, 2026

Fique por dentro das novidades

Desenvolvemos projetos para um mundo em constante transformação e escolas ávidas por inovação.

Ao clicar em ”Enviar” você concorda com a Política de Privacidade.

plugins premium WordPress