Se por um instante fizermos o esforço de voltar aos tempos da escola, fecharmos os olhos e tentarmos percorrer as páginas dos livros didáticos que estavam sobre nossas mesas, talvez venham à memória as imagens de Dom Pedro, Tiradentes e, com sorte, da Princesa Isabel. Com um pouco mais de esforço, talvez surja a figura clássica de Machado de Assis. Era preciso virar muitas páginas até encontrar imagens ou menções a pessoas negras, mesmo nas seções dedicadas à história do Brasil. E, quando apareciam, quase sempre estavam associadas à violência, à submissão ou a um apagamento que tentava acompanhar o esquecimento de um período incômodo da nossa história: os mais de três séculos de escravidão que marcaram a vida de homens, mulheres e crianças negras em nosso país.